domingo, 27 de setembro de 2009

Pilotos com prémio chorudo na reforma

In "Correio da Manhã":

tap Cada piloto da TAP que se reformou em 2007, quando a idade da reforma era 60 anos, recebeu um prémio de jubilação, uma espécie de plano poupança reforma atribuído pela companhia, com o valor médio de 160 mil euros. O prémio, que é atribuído desde o início da década de 80, custou à TAP, nesse ano, mais de 2,2 milhões de euros. Para fazer face à despesa com este benefício a curto prazo, a empresa já constituiu uma provisão de 2,5 milhões de euros.

O prémio de jubilação dos pilotos da TAP, que hoje iniciam uma greve de dois dias em defesa de aumentos salariais, foi eliminado em 2008 para os pilotos admitidos a partir de 1 de Junho de  2007, mas, segundo o CM apurou, cerca de 300 dos actuais 800 pilotos da TAP ainda têm direito a este benefício no momento de passarem à aposentação por velhice.

Tanto assim é que o relatório e contas da TAP de 2008 deixa claro que, nos termos do Acordo de Empresa celebrado entre a companhia aérea e o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) em 2007, cada piloto admitido até 31 de Maio de 2007 “terá direito, na idade normal de reforma, a um capital de 16 vezes o último salário declarado”. Por isso, a companhia constituiu uma provisão de 2,5 milhões de euros para fazer face aos encargos com o prémio de jubilação dos pilotos nos próximos anos.

Para já, nem a TAP, presidida por Fernando Pinto, nem o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC), liderado por Hélder Silva, fazem quaisquer  comentários sobre este assunto. Certo é que o prémio de jubilação é financiado, segundo explica o relatório e contas da companhia aérea do ano passado, por “capitais acumulados num seguro de capitalização colectiva constituído pela empresa [TAP] em nome dos pilotos”.

A idade de reforma dos pilotos subiu dos 60 para os 65 anos a 28 de Setembro de 2007.

AUMENTO DE SALÁRIOS EM CAUSA

Os pilotos da TAP marcaram uma greve de dois dias para hoje e amanhã para defender aumentos salariais. O SPAC alega que nos últimos anos os ordenados reais unitários dos pilotos caíram pelo menos 23 por cento. E diz que as reivindicações implicam aumentos salariais brutos de 600 euros por mês. A TAP contrapõe que a subida será de mil euros por mês.

AS CARTAS DE FERNANDO PINTO

Fernando Pinto, líder da TAP, tentou a todo o custo evitar a greve de hoje, e enviou inclusive duas cartas aos pilotos. A última foi enviada na terça-feira, e diz: 'Convido todos os colegas a reflectirem sobre a conveniência de, antes de esgotados os esforços, manterem o actual movimento de paralisação. Creio que ele apenas poderá tornar mais difícil qualquer entendimento futuro, pois introduz um total e indesejado desequilíbrio nas negociações.'

ACESSOR POR 630 MIL EUROS

Um associado do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) interpôs uma acção em tribunal para impugnar a decisão de contratar a empresa do assessor económico e financeiro do sindicato, Paulo Rodrigues, por 630 mi l euros (valor do contracto com o IVA). A reunião da assembleia geral do Sindicato em que esta decisão foi tomada e que o associado pretende impugnar realizou-se a 28 de Janeiro de 2009.

Ao que o CM apurou, o piloto que apresenta a queixa critica o facto de a assembleia ter decidido que o preço dos serviços a prestar pela empresa do assessor, que é também piloto e sócio do SPAC, fosse suportado pelos associados sob forma de 'quotização extraordinária', e alega que o mesmo órgão não tem competência para este tipo de deliberações.

Na queixa refere ainda que não compareceram à reunião todos os associados (estiveram cerca de 50 por cento) e que, dos representados, a larga maioria subscreveu procurações que não conferem poderes para aprovar qualquer aditamento à ordem do dia, como a votação da referida contratação.

Além disso, o piloto considera o valor excessivo, uma vez que Paulo Rodrigues apenas dará 'um mero apoio à definição pela direcção do Sindicato de uma estratégia negocial com a TAP e à negociação a levar a cabo com esta entidade em sede de revisão do Acordo de Empresa'. No mesmo documento, entregue ao tribunal, é referido que o SPAC tem mais contratos do género com o mesmo assessor.

Quanto ao facto de o Sindicato afirmar que os serviços prestados serão desenvolvidos 'nos períodos livres de voo' do piloto, é referido na queixa que Paulo Rodrigues não terá mais de dez dias livres por mês.

PRESIDENTE DO SPAC DE FOLGA

O presidente do SPAC, Hélder Silva, tem folgas marcadas para hoje e amanhã. Já estavam marcadas quando foi determinada a greve, mas mesmo assim outros pilotos não lhe poupam críticas. 'É um belo exemplo. Imagine que um general mandava as tropas irem para a guerra e depois tirava férias no Hawai', diz fonte do sindicato. O CM tentou contactar Hélder Silva, mas até ao fecho desta edição não foi possível.

REGALIAS

COMPLEMENTO

Os colaboradores admitidos no quadro permanente até 31 de Maio de 1993 recebem um complemento de reforma e ainda têm um esquema para compensar a uniformização da idade da reforma aos 65 anos.

SUBSÍDIO PARA OS FILHOS

Os colaboradores que tenham filhos com necessidades de educação especiais recebem um subsídio de reeducação. Há ainda subsídio para material escolar atribuído aos filhos dos colaboradores e infantário 24 horas por dia, 365 dias por ano, para crianças até aos cinco anos.

SEGURO DE VIDA

Com cobertura dos riscos de morte e invalidez total e permanente.

PLANO DE SAÚDE

Plano de saúde com acesso a serviços médicos a uma taxa reduzida. Têm uma Unidade de Cuidados de Saúde nos dias úteis até às 20h00. Fora deste horário, têm assistência médica domiciliária e aconselhamento médico por telefone 24 horas por dia.

FUNDO DE SOLIDARIEDADE

Há ainda um Fundo de Solidariedade para concessão de empréstimos monetários reembolsáveis em casos de carência.

NÚMEROS

800

é neste momento o número de pilotos da TAP. Ao todo, a companhia aérea tem cerca de sete mil funcionários.

8600

euros por mês foi o saláriomédio recebido por cada piloto nos primeiros sete meses deste ano.

65

milhões de euros foi o prejuízo da TAP entre Janeiro e Julho deste ano. Mesmo assim, é uma melhoria face a igual período de 2008. No ano passado, a empresa registou um prejuízo de 285 milhões.

MÁRIO LINO: INTERVENÇÃO

Foram conhecidas as várias intervenções do Governo, nomeadamente do ministro das Obras Públicas e Transportes, Mário Lino, nas negociações com sindicatos para evitar outras greves.

PILOTOS: QUEIXA À TUTELA

A direcção do SPAC enviou ontem ao ministro da tutela, Mário Lino, e ao provedor de Justiça uma carta a denunciar a substituição dos trabalhadores em greve com recurso à contratação externa

ACT: AUTO DE NOTÍCIA CONTRA A TAP

A  TAP substituiu os trabalhadores na greve nacional de 23 de Outubro de 2007. Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) levantou  um auto de notícia e fez participação criminal

Ver:

TAP: Pilotos têm salário médio de 8.600 euros:

O aumento de 9% pedido pelos pilotos custaria à TAP mais de 11,5 milhões de euros.

sábado, 19 de setembro de 2009

Siga os indicadores certos

In "Jornal de Negócios Online":

A avaliação de empresas é muito complexa, a não ser que opte pela avaliação relativa: só precisa dos mapas contabilísticos, de uma cotação recente e de fazer alguma aritmética.
Quem o diz é Warren Buffett, um dos maiores investidores de bolsa: "É muito melhor comprar uma empresa maravilhosa a um preço aceitável do que uma empresa aceitável a um preço maravilhoso." É difícil discordar do segundo homem mais rico do mundo, segundo a revista "Forbes", que ganhou cerca de 20% por ano em pouco mais de quatro décadas. Mas como se sabe que o preço é aceitável?
Há várias maneiras de avaliar uma sociedade, inclusive algumas bastante complexas, mas é provável que a avaliação relativa seja a mais simples. Este tipo de avaliação concentra-se no cálculo de rácios, que normalmente comparam alguma medida dos quadros contabilísticos com o valor de mercado da firma.
bussolagr A simplicidade da avaliação relativa não quer dizer que ela serve para pouco. Aliás, são muitos os gurus da bolsa que começam o seu trabalho com uma mão-cheia de rácios de mercado. Martin Zweig, um analistas e comentador que previu o "crash" de 1987, diz, no seu livro "Martin Zweig's Winning on Wall Street", que não é preciso estudar uma firma ao pormenor para saber se vale a pena comprá-la. Zweig é autor de uma estratégia que, segundo a Associação Americana de Investidores Individuais, rendeu mais de 1.300% desde 1998, que conta com indicadores como o rácio preço-lucros. Os especialistas alertam, no entanto, que os investidores não devem decidir a compra ou a venda de uma acção apenas pela análise de um ou dois rácios de mercado. Como perceberá mais à frente, estes indicadores estão longe de serem perfeitos.
Os indicadores mais usados na bolsa são fáceis de computar: basta que tenha os mapas das contas, uma cotação recente e, de preferência, uma calculadora. Todavia, se quiser ser ainda mais rápido na sua avaliação relativa de acções, pode ir ao sítio na Internet do Negócios (www.negocios.pt) e optar por "Análise Fundamental" no menu. Aí, encontrará vários indicadores sobre as acções nacionais.
Para lhe poupar trabalho, o Negócios, além de lhe explicar como funcionam os principais indicadores, apresenta-lhe as acções cujos rácios são extremos. A investigação foi realizada nos índices mais restritos das praças mais acessíveis aos investidores nacionais: Lisboa, Madrid, Paris, Bruxelas, Amesterdão, Frankfurt, Londres e Nova Iorque.

Cinco pontos cardeais para avaliar as acções


Para se orientar entre os milhares de acções que podem fazer crescer o dinheiro, é preciso
que conheça algumas ferramentas que podem ajudar a tomar boas decisões.
1. Preço-Lucros – O que todos procuram
Este é o indicador mais usado nos mercados accionistas em todo o mundo, porque combina as duas coisas mais importantes para os investidores: o preço das acções e o lucro alcançado pela empresa. O rácio preço-lucros (em inglês, "price-earnings ratio", PER ou P/E) resulta da divisão da cotação pelo lucro da empresa que corresponde a cada acção, isto é, o preço de mercado a dividir pelo lucro por acção. Tradicionalmente, o lucro por acção aplicado na divisão é o obtido nos últimos quatro trimestres fiscais. Há muitas maneiras de interpretar o P/L, mas a mais comum é como o número de anos necessários para o accionista receber o que gastou na compra da acção se os lucros se mantiverem e se a sociedade os distribuir na totalidade como dividendos. Logo, se mede o número de anos para recuperar o investimento (sob determinadas condições), pretende-se um P/L baixo. Como é um múltiplo desse número de anos, muitas vezes o resultado da divisão é acompanhado por um "x".
Robert Shiller, professor da Universidade de Yale, ficou conhecido quando o seu livro "Irrational Exuberance", publicado no pico da "bolha tecnológica", em Março de 2000, alertava para a queda do mercado. O P/L foi o seu principal indicador. "Os investidores de longo prazo são bem aconselhados, individualmente, a baixar a exposição ao mercado accionista quando [o rácio entre o preço e o resultados] está alto (...) e a entrar no mercado quando está baixo", escreveu Shiller na actualização de 2005 do livro. Actualmente, o P/L médio das principais bolsas está alguns pontos abaixo da média de longo prazo.
É preciso cuidado ao analisar o P/L, especialmente se for de uma só acção e não do mercado como um todo. O maior problema está no denominador: os lucros são bastante manipuláveis, o que pode alterar significativamente a leitura do rácio. Por isso, alguns investidores e agências de informação financeira realizam correcções ao P/L, subtraindo, por exemplo, resultados extraordinários aos lucros. Outro risco é o de o preço, que está no numerador, estar deprimido por a firma estar em maus lençóis. Se uma empresa estiver próxima da falência, a sua cotação tenderá para zero, bem como o P/L. É por isso que alguns gurus da bolsa não compram acções com rácios inferiores a cinco.
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2. Preço-valor contabilístico - Avaliar pelas contas A relação entre o preço e o valor contabilístico das acções é tão antiga como o rácio anterior, entre o preço e os lucros. Benjamin Graham, o pai da análise fundamental de acções, e o seu colega David Dodd escreveram em "Security Analysis", publicado em 1934, que a comparação entre o valor de mercado e o valor contabilístico da empresa é uma medida a manter debaixo de olho na selecção de acções. O rácio P/VC (em inglês, "price-book value" ou P/BV) resulta da divisão da cotação pelos capitais próprios por acção. Graham defendia que a maioria dos investidores não deve comprar acções cujo valor de mercado ultrapasse em mais de 20% o valor contabilístico, ou seja, o seu P/VC máximo deve ser de 1,2. Em vez de usarem os capitais próprios como referência para o cálculo do P/VC, alguns investidores extraem o imobilizado não tangível do denominador do rácio, defendendo que assim não é possível manipulá-lo.
Apesar de ser usado por muitos grandes investidores desde a década de 1930, pelo menos, o mundo académico só abraçou o rácio P/VC em 1980, quando Dennis Stattman, actualmente gestor do fundo BlackRock Global Allocation, o estudou na sua tese de mestrado da Universidade de Chicago. Desde então, os académicos apontam este rácio como o melhor para separar boas acções para investir. É inclusivamente melhor que o P/L, estimam. Uma empresa a negociar com um P/VC baixo, em particular quando comparado com o seu sector e com os seus concorrentes, é indicada como estando subavaliada. Pode ser uma oportunidade de compra única. Contudo, um P/VC baixo também pode assinalar que os investidores estão pessimistas em relação ao futuro da companhia, deprimindo a sua cotação, ou que a sociedade tem um activo intangível desproporcional no seu balanço. Nesse caso, é preciso evitá-la.
Muitas vezes, as empresas cotadas apresentam P/VC inferiores à unidade, o que pode parecer estranho: o mercado está a avaliá-las abaixo do seu valor contabilístico. Contudo, isso acontece porque a cotação incorpora mais informação do que os valores introduzidos pelos contabilistas, como sejam as expectativas de resultados futuros e a avaliação da administração. Além disso, "o valor contabilístico é uma opinião [dos contabilistas] e não um facto", revela Aswath Damodaran, professor da Universidade de Nova Iorque, no seu livro "Investment Fables", em que desconstrói os mitos dos rácios financeiros.
contabilistico
3 . Preço-vendas - À prova de manipulação Um dos problemas principais na avaliação das empresas está em encontrar informação credível. Há manuais que ensinam exclusivamente a fazer ajustamentos aos mapas contabilísticos de modo a evitar ser-se enganado pelos administradores. Na avaliação relativa, há um indicador que consegue transpor as limitações das manipulações: o rácio preço-vendas ("price-sales" ou P/S, em inglês), que resulta da divisão da cotação pelas vendas por acção. As vendas são o elemento contabilístico mais difícil de "dourar" pelos administradores, logo, conseguem contribuir melhor para uma métrica mais estável.
Kenneth Fisher, o gestor de activos que lidera a Fisher Investments, filho do guru da bolsa Philip Fisher, foi pioneiro ao introduzir o rácio P/V, seguindo os ensinamentos do pai.
No 25º aniversário da sua coluna mensal na revista "Forbes", Ken Fisher relembrou a sua estratégia: "Evite pagar em excesso. Use várias métricas de avaliação - não apenas o rácio preço-lucros mas também o rácio preço-vendas e preço-valor contabilístico. Compare uma empresa com o mercado como um todo e com os seus concorrentes. Compre qualidade barata." Os artigos de Fisher podem ser lidos "on-line" em forbes.com/fisher.
A estratégia de Ken Fisher passa por fazer uma selecção inicial das acções com P/V mais baixos e, posteriormente, usar outros indicadores (como o crescimento dos lucros e rácios de endividamento) para desvendar as melhores compras, segundo os seus livros. O P/V permite desvendar títulos esquecidos pelos investidores, mas que têm um forte potencial de crescimento.
Como o rácio P/V indica o valor que o mercado atribuiu a cada euro de volume de negócios por acção, é importante fazer comparações que façam sentido. Não é justo comparar o P/V de uma fabricante de automóveis, que têm baixas perspectivas de crescimento da facturação, com um companhia de energia eólica, como a EDP Renováveis ou a Iberdrola Renovables, cujas perspectivas de aumento das vendas é elevado. Firmas como a PSA Peugeot Citroën, Ford Motor e BMW têm P/V inferiores a 0,50, enquanto as produtoras de energias alternativas apresentam rácios superiores a cinco.
vendas
4. Taxa de dividendos - O que os investidores realmente querem No limite, o que os investidores querem é dividendos. É verdade que muitos negoceiam acções apenas com o intuito de fazer mais-valias. Contudo, para uma acção subir sustentadamente é preciso que haja uma estimativa, mesmo que seja muito remota, de fazer um pagamento de dividendos. Ninguém pensa que a Google, a dona do motor de busca homónimo, irá pagar dividendos nos próximos tempos, porque precisa do dinheiro que gera para alimentar o seu crescimento. Contudo, quando a Microsoft foi para a bolsa, em 1986, também ninguém esperava dividendos nos anos seguintes, mas agora a maior casa de "software" do mundo paga bons dividendos.
"De 1871 a 2003, 97% da acumulação acima da inflação das acções [norte-americanas] veio do reinvestimento dos dividendos. Apenas 3% teve origem em ganhos de capital", estima Jeremy Siegel, professor da Universidade da Pensilvânia, no livro "The Future for Investors". A taxa de dividendos, que se obtém dividindo os dividendos por acção dos últimos 12 meses pela cotação do título, é o indicador mais usado na selecção de bons pagadores. Esta taxa (na terminologia britânica, "dividend yield") indica a rendibilidade anual do investimento nas acções à conta do recebimento dos dividendos, assumindo que a empresa mantém o fluxo de pagamentos nos próximos anos. Contudo, não é garantido que o sociedade pague os mesmos dividendos nos próximos exercícios, nem é garantido que pague um cêntimo, uma vez que não há qualquer obrigação legal para o fazer. Em Julho de 2004, a Microsoft fez um anúncio importante: além de ir pagar os oito cêntimos de dólar por acção, como tentava habituar os accionistas até então, iria distribuir três dólares adicionais. Ora, esse dividendo especial representava uma taxa de dividendo superior a 10%, o que os investidores não deveriam tomar como fosse provável de se repetir. Antes de mergulhar numa acção pela sua taxa de dividendo, convém verificar se a empresa que o distribuiu tem condições para continuar a fazê-lo.
dividendos
5. Rendibilidade do capital próprio - Tripla medida A rendibilidade do capital próprio é um dos indicadores mais simples que se podem usar: basta retirar um elemento da demonstração de resultados, outro do balanço e dividir o primeiro pelo segundo. A RCP (em inglês, "return on equity" ou ROE) resulta da divisão do resultado líquido de um ano pelo capital próprio dos accionistas.
Para fazer cálculos mais actuais, o resultado líquido que normalmente se usa obtém-se da soma dos últimos quatro lucros trimestrais e o capital próprio é uma média ao longo desse ano. Isto quer dizer que o indicador diz quantos euros de lucro foram gerados no último ano por cada euro de capitais próprios, logo, quanto maior, melhor. Por exemplo, uma RCP de 20% indica que, ao longo dos últimos 12 meses, a empresa conseguiu produzir 20 euros de resultados líquidos a partir de cada 100 euro de capitais. É importante relembrar que o capital próprio não é mais do que a diferença contabilística entre o valor dos activos e das dívidas.
Embora seja apenas uma percentagem, a RCP tem um vasto poder, porque sintetiza a capacidade de receitas do negócio, a gestão dos activos e o endividamento. O número final reflecte como os administradores estão a equilibrar este três elementos - algo muito importante para os investidores. "A alocação do capital ao longo do tempo determina o valor dos accionistas. Decidir o que fazer com os resultados da empresa - reinvestir no negócio ou devolvê-los aos accionistas - é, na cabeça de Buffett, um exercício de lógica e racionalidade", conta Robert Hagstrom, no seu livro "Warren Buffett e as Estratégias de um Grande Investidor". A RCP reflecte exactamente se os administradores decidiram bem em reinvestir o dinheiro dos accionistas, em vez de o devolver.
A desvantagem do RCP quando se está a investir em acções está na falta de ligação directa ao mercado, isto é, o indicador não incorpora uma comparação ao preço de mercado, ao contrário das quatro medidas anteriores. É por isso que nunca deve ser usado isoladamente na selecção de títulos, embora faça parte de estratégias internacionalmente reconhecidas, como a "Hidden Gems" (o que pode ser traduzido em "Perólas Escondidas") dos norte-americanos da Motley Fool, uma sociedade de aconselhamento financeiro multimédia.
roe

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Venda de computadores em Portugal aumenta 61,4 por cento

In "PUBLICO.PT":

Empurrada pelos programas e-escolas e e-escolinhas, e em contra-ciclo com o registado no resto da Europa ocidental, a venda de computadores no mercado português cresceu 61,4 por cento no segundo semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2008.
Os dados são da analista de mercado IDC, que aponta terem sido vendidos 474.900 computadores no território português. Na Europa ocidental, o mercado caiu 2,5 por cento.
Em sintonia com o que se passa a nível global, 378.300 destes computadores são portáteis (o que se traduz num crescimento de 66,6 por cento) e apenas 96.600 são desktops (mais 43,9 por cento).
O programa e-escolinhas (que distribui os portáteis Magalhães gratuitamente ou a preços reduzidos a alunos do primeiro ciclo) e o programa e-escolas (que facilita a aquisição de portáteis por parte dos restantes alunos) estão na base do desempenho positivo do mercado português.
"A clara dinâmica de crescimento do mercado nacional de PCs manteve-se no segundo trimestre de 2009, com um forte contributo dos programas e-escolinhas, e-escolas e Plano Tecnológico da Educação”, observou, em comunicado, o director de pesquisa e consultoria da IDC Portugal, Gabriel Coimbra.
Segundo os dados mais recentes disponibilizados pelo Governo, já foram distribuídos, ao todo, 1,37 milhões de Magalhães e de portáteis do e-escolas desde o arranque da iniciativa.
A fabricante JP Sá Couto (que, para além dos Magalhães, produz os computadores de marca Tsunami) é, segundo a IDC, a empresa que lidera o sector, com uma quota de 26,1 por cento do mercado conjunto de desktops e portáteis. A empresa conseguiu um crescimento de 913,4 por cento no período em análise.
A HP (cujos modelos fazem parte do e-escolas) surge em segundo lugar, com uma fatia de 23,2 por cento. Em terceiro lugar, com 20,9 por cento, está a Toshiba, outra marca que distribui computadores ao abrigo daquela iniciativa governamental.
Tendo apenas em consideração o segmento dos portáteis, a JP Sá Couto regista um crescimento explosivo de 2027,4 por cento e detém quase um terço do mercado.

Computadores Magalhães

O Magalhães impulsionou o mercado

OCDE acredita que retoma da Zona Euro será mais cedo

In "Correio da Manhã":

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) apresentou esta quinta-feira a revisão intermédia da sua informação semestral onde prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) da Zona Euro vai recuar 3,9 por cento este ano, contra os 4,8 por cento previstos em final de Junho.

A OCDE acredita que a retoma será mais rápida do que o previsto, ou seja 2009 terá uma queda menos acentuada  da economia da Zona Euro e do Japão face às previsões do início do Verão.

No entanto, mantêm-se os números iniciais para os Estados Unidos.  

A justificação desta revisão baseia-se no facto dos países da moeda única europeia estarem a sair da recessão no terceiro trimestre (mais 0,3 por cento em evolução  trimestral), tendência que se deverá confirmar no quarto trimestre (mais dois por cento).  

Relativamente ao Japão, a OCDE prevê agora uma descida de 5,6 por cento do PIB contra a quebra de 6,8 por cento avançada inicialmente. 

Os responsáveis pela revisão não alteraram os dados para os EUA, cujo PIB deverá descer 2,8 por cento em 2009, com um crescimento  de 1,6 por cento no terceiro trimestre e 2,4 por cento no quarto.

 
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