sexta-feira, 31 de outubro de 2008

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

O Banco Central da Islândia aumenta juros para os 18%

In "":

O banco central da Islândia aumentou inesperadamente da taxa de juro de referência para os 18%.

A crise obrigou o país a nacionalizar os três maiores bancos nacionais e levou a que a economia entrasse em colapso.

Ver:  2008 Icelandic financial crisis

e Islândia e ( Iceland )

Live rates at 2008.10.30 00:30:16 UTC

1.00 EUR = 153.251 ISK (Iceland Kronur)


Oct. 28 (Bloomberg) -- Iceland's central bank unexpectedly raised the benchmark interest rate to 18 percent, the highest in at least seven years, after the island reached a loan agreement with the International Monetary Fund.

Policy makers raised the key rate by 6 percentage points, the Reykjavik-based bank said in a statement today, taking the rate to the highest since the bank began targeting inflation in 2001.

``I don't think 6 percentage points will make the krona any more attractive,'' said Henrik Gullberg, a strategist at Deutsche Bank AG in London. ``Basically what we're seeing is a complete liquidation of everything in emerging markets, and Iceland, even in the emerging-market universe, is very vulnerable. Six percent isn't worth a lot if the currency drops another 15 percent.''

The central bank is raising rates as Iceland, the first western nation to seek financial help from the IMF since the U.K. in 1976, faces an economic contraction, coupled with possible hyperinflation and rising joblessness. The economy will shrink as much as 10 percent next year, the IMF forecasts. Iceland will receive about $2.1 billion from the Washington-based fund, according to a deal struck on Oct. 24.

``The only thing that'll improve the krona is a return of risk appetite, and there are no signs of this happening any time soon,'' Gullberg said.

Iceland's Talks

Iceland is in talks with the governments of Sweden, Norway and Denmark to secure as much as $4 billion in additional loans. The central bank has also sent requests for support the European Central Bank and the Federal Reserve, Prime Minister Geir Haarde said at a Nordic government summit in Helsinki today.

The increase in the key rate comes after the central bank on Oct. 15 cut it by 3.5 percentage points from 15.5 percent. That move indicated policy makers were focusing on growth and abandoning their target of stabilizing inflation, which may soar as high as 75 percent in coming months, according to Lars Christensen, chief analyst at Danske Bank A/S in Copenhagen.

The IMF deal is due to be presented to the fund's executive board later this week. One of the conditions attached to the loan was that policy makers raise the key rate to 18 percent, the central bank said in a statement on its Web site today.

Central bank Governor David Oddsson told reporters today he hopes rates ``don't stay at the current level for too long. This decision doesn't necessarily mean that we assume that rates will rise further.'' The bank holds its next rate setting meeting on Nov. 6.

Under Review

Still, the central bank will continue to ``review the matter,'' he said. The benchmark rate hasn't been higher since the central bank introduced inflation targeting in 2001. Policy makers target price gains of 2.5 percent. Inflation was 15.9 percent in October, Statistics Iceland said yesterday.

The central bank has been holding daily auctions since the currency's collapse earlier this month with local market makers setting the rate at about 150 kronur per euro. According to Roed- Frederiksen, further rate increases can't be ruled out if policy makers want to strengthen the krona once international traders are granted access to the market.

Iceland's financial regulator took control of Kaupthing Bank hf, Landsbanki Islands hf and Glitnir Bank hf earlier this month, after they couldn't secure short-term funding. That precipitated the collapse of the currency. The central bank on Oct. 7 attempted to peg the krona only to abandon the measure a day later citing ``insufficient support.''

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Intel Capital invests in 3 China firms, clean tech

In "Reuters":

BEIJING, Oct 28 (Reuters) - Intel Capital, the investment arm of Intel Corp (INTC.O: Quote, Profile, Research, Stock Buzz), announced on Tuesday three investments in Chinese companies, including its first moves into the nation's clean technology sector.

Intel Capital invested $20 million in Trony Solar Holdings Co, a thin-film solar energy provider, and also took undisclosed stakes in electricity storage specialist NP Holdings Ltd, and Viewhigh, a healthcare software firm.

Cadol Cheung, the firm's Asia Pacific head, told reporters the new $500 million China technology fund that was established in April had invested in six mainland companies, adding he had not yet seen a slowdown in investment due to the global financial crisis.

"We think innovation is the way to help companies out of this financial crisis," said Cheung. "We have no plan of slowing down our investment pace."

Intel Capital, which had a portfolio of $2.3 billion as of June 2008, had less than 5 percent of its portfolio invested outside the United States 10 years ago. That figure had grown to 37 percent by 2007.

However, the investment company has seen more companies in its portfolio requesting additional funding to carry them through a rough patch as external financing channels dry up.

"In this environment, companies will revert back to existing investors more, because it is more difficult to get external financing," said Cheung. He did not provide any details.

Intel Corp provides all the capital for Intel Capital, allowing it to take a long-term view on investments, which can last as long as 10 years.

About a third of Intel Capital's total investment is located in Asia, with China, Taiwan and Korea taking up a big chunk.

($=6.84 yuan) (Reporting by Kirby Chien; editing by Ken Wills)

Fed reduz os juros dos EUA para 1%

In "Jornal de Negócios":

A Reserva Federal (Fed) dos EUA reduziu em 50 pontos a taxa de juro no país para 1%. Esta é a segunda vez este mês que a autoridade monetária decide reduzir o preço do dinheiro norte-americano com o objectivo de reanimar a economia, que segundo as estimativas está à beira de uma recessão.

In "":

WASHINGTON — The Federal Reserve lowered its benchmark interest rate by half a percentage point on Wednesday, its second rate cut this month, as policy makers tried to fend off what could be the worst economic downturn in decades.

The move brought the overnight federal fund target rate to 1 percent, down to the new-record lows reached in 2003 and 2004. Wednesday’s vote was unanimous.

Since the credit crisis began in August 2007, the Federal Reserve has slashed the fed funds rate to 1.5 percent, from 5.25 percent. But interest rates for 30-year fixed-rate mortgages are about 6.3 percent, roughly where they were when the credit crisis began.

Many economists contend that the United States economy has already slipped into a recession that could well last longer and be more severe than any downturn since the early 1970s.


terça-feira, 28 de outubro de 2008

Mercados globais em tumulto

In "":


Uma desaceleração global da indústria é agora uma ameaça, e deve continuar até que os mercados internos estrangeiros sejam alimentados – exactamente a tendência oposta da recente geração de políticas neoliberais anti-trabalho.
Para perceber as dinâmicas em funcionamento, é preciso olhar para a balança de pagamentos – não tanto para a própria balança comercial e sim para a especulação com divisas, para a concessão de empréstimos internacionais e para a arbitragem [1] que tem dominado as taxas de câmbio ao longo das últimas duas décadas. As taxas de câmbio já não reflectem mais os níveis de salários relativos, a "paridade do poder de compra" ou custos de vida como em tempos passados. Hoje, elas reflectem o fluxo da contratação de empréstimos internacionais, em que as taxas de juros estão baixas e a concessão de empréstimos a uma certa margem de lucro (markup) está fixada – e portanto ao proteger (hedging) esta arbitragem, a maioria dos participantes salta para o "comboio da alegria" a especular acerca do modo como as divisas irão comportar-se.
Deste modo as balanças de pagamentos e os valores das divisas foram "pós-industrializados", tal como o foram as próprias economias internas. Ao invés de promover o crescimento industrial baseado num mercado habitacional em expansão, governos por todo o mundo perseguiram uma estratégia financeira "pós-industrial" de "criação de riqueza".

A crise do iene japonês — reembolsada pelo carry trade

Em lado algum isto foi mais evidente que no Japão, cuja economia permaneceu na estagnação desde que a sua primeira bolha arrebentou em 1990. Durante 17 anos consecutivos, trimestre após trimestre, os preços da terra japoneses caíram, assim como os preços dos mercados de acções – e portanto, os colaterais comprometidos como apoio aos empréstimos. Isto levou rapidamente a que os bancos japoneses ficassem com situação líquida negativa. A resposta do Banco do Japão foi engendrar uma maneira de eles reconstruírem os seus balanços – para os bancos "conseguirem escapar" dos maus empréstimos que haviam feito.

A política usada não foi ressuscitar o decadente mercado doméstico no Japão ou as suas corporações industriais. Desde 1945 até 1985, os japoneses tiveram um sistema bancário industrial modelo. Mas em 1985, os diplomatas estado-unidenses pediram ao Japão para, por favor, cometerem um suicídio económico. Irritados com o êxito impressionante da indústria japonesa, responsáveis dos EUA pediram aos seus submissos interlocutores japoneses para aumentarem a taxa de câmbio do iene de modo a fazerem com que as suas exportações industriais ficassem menos competitivos, e a devido tempo para inundarem a sua economia com crédito assim como para baixar taxas de juros, permitindo assim à Reserva Federal inundar o mercado dos EUA com bastante crédito barato para dar uma aparência de prosperidade à administração Reagan. Esta política – anunciada no Acordo Plaza de 1985 – levou o economista David Hale a comentar jocosamente que o Banco do Japão estava a agir como o Décimo Terceiro Distrito da Reserva Federal e o governo japonês como um comité republicano de reeleição.

O Japão inundou a sua economia com crédito, baixou as taxas de juro e alimentou a maior bolha imobiliária do mundo dos anos 80. O mercado de acções também inchou para reflectir o aumento nas vendas e ganhos industriais japoneses. Mas depois de a bolha rebentar, a 31 de Dezembro de 1989, as dívidas de hipotecas e de acções que os bancos japoneses detinham nas suas reservas capitais caíram aquém do valor necessário para suportar os suas obrigações de depósitos. Para ajudar a salvar os bancos, o governo japonês incentivou-os a empreender aquilo que ficou conhecido como "carry trade": conceder empréstimos de ienes criados liberalmente a instituições financeiras estrangeiras a taxas extremamente baixas, para que esses tomadores convertessem-nos em outras divisas a fim de comprar títulos ou outros activos que rendessem uma taxa mais alta. Se ao mercado interno japonês faltavam tomadores de crédito dignos de confiança, passavam a emprestar a estrangeiros. Como uma nova fonte de rendimento para os bancos, em substituição aos empréstimos para o imobiliário e a indústria internas, as baixas taxas de juro permitiram-lhes inundar a economia global com créditos. Isto serviu as finanças globais pois proporcionou aos especuladores e "intermediários financeiros" uma oportunidade de obterem uma rodada de arbitragens gratuitas, em contraste com as exportações industriais japonesas que ameaçavam destronar as produções industriais americanas e europeias de automóveis, electrónica de consumo e outras.

As taxas de empréstimo mantiveram-se altas dentro do próprio Japão. Tal como descreveu recentemente o veterano observador do Japão Richard Werner (autor de Princes of the Yen ) "enquanto as pequenas firmas japonesas foram mortas pela contínua recusa dos bancos de expandir o crédito (e muitos presidentes de pequenas firmas morreram porque tiveram de vender um rim a agiotas a que se viram obrigados a recorrer), os especuladores estrangeiros recebiam amplos fundos de ienes por uma pechincha". A desculpa para esta criação de crédito foi que os exportadores japoneses eram ajudados pois a conversão do iene em moeda estrangeira baixava a taxa de câmbio. (O crédito de iene era "fornecido" aos mercados monetários globais e era gasto para comprar e assim aumentar o preço de euros, dólares, libras esterlinas e outras divisas.)

Assim o iene manteve-se em baixa, ajudando as vendas japonesas de bens de consumo, enquanto aos tomadores estrangeiros de empréstimos era permitido surfar a sua própria onda de inflação de preços de activos. Os especuladores podiam pedir emprestado a apenas uns poucos pontos percentuais de juro no Japão e converter a sua dívida em divisa estrangeira e emprestá-la a outros países igualmente desesperados, tais como a Islândia, até a mais de 15%.

Ienes no valor de centenas de milhares de milhões de dólares, euros e libras foram tomados como empréstimo e devidamente convertidos em divisas estrangeiras a fim de serem emprestados com uma margem de lucro. Os responsáveis pelas arbitragens fizeram milhares de milhões agindo como intermediários financeiros e ganhando rendimentos nas margens entre os baixos custos de empréstimo em ienes e as altas taxas de juros das divisas estrangeiras. Como escreveu Ambrose Evans-Pritchard há mais de um ano no Financial Times, "O Banco do Japão manteve as taxas de juro a zero durante seis anos até Julho de 2006 para manter afastada a inflação. Ainda agora, as taxas ainda estão a apenas 0,5%. Ele também injectou perto de US$12 mil milhões de liquidez todos os meses, imprimindo dinheiro para comprar títulos. O efeito líquido foi uma fuga maciça de dinheiro para a economia global. Confrontados com um ganho miserável em casa, os fundos do Japão e as avozinhas poupadoras guardaram o dinheiro no estrangeiro. Bancos, hedge funds e a proverbial sra. Watanabe, todos eles foram capazes de tomar emprestado por quase nada em Tóquio a fim de comprar activos por todo o globo. O BNP Paribas estima que este "carry trade" está próximo dos US$1,2 mil milhões.

Tudo isto estava condicionado à capacidade dos prestamistas em obterem um benefício contínuo a expensas dos outros. Agora que o almoço gratuito estava acabado, o modo pós-industrial japonês de resgatar o seu sector bancário está a voltar para casa a fim de abrigar-se. E está a fazê-lo de um modo que vai destacar o conflito inerente entre o capitalismo financeiro e o capitalismo industrial. Enquanto a expansão industrial é suposta continuar – e pode continuar a fazê-lo desde que os mercados acompanhem o ritmo da produção – as bolhas de dívida acabam, habitualmente de modo abrupto, como estamos a ver hoje. Agora que a Islândia entrou na bancarrota, parece que será a Hungria a segui-la.

Como os mercados globais de divisas já não proporcionam os roubos fáceis da última década, o carry trade do iene está a ser desincentivado. Isto envolve converter a divisa islandesa, euros, libras e outras divisas não-japonesas outra vez para ienes a fim de resolver as dívidas aos bancos japoneses. Este repagamento – e a consequente reconversão em iene – está a empurrar o preço do iene para cima. Isso ameaça tornar as exportações japonesas mais caras em termos de dólares, euros e libras. Na semana passada a Sony previu que em consequência os seus rendimentos irão cair, e outras empresas japonesas enfrentam um aperto semelhante nas vendas, não apenas derivado da ascensão dos preços iene/dólar, mas também da desaceleração global resultante de duas décadas de políticas económicas pro-finanças e anti-trabalho.

Financiando a economia americana com o "gotejamento" a partir de baixo

O iene em ascensão e a queda nas taxas das divisas estrangeiras são o resultado do desfazer da estratégia "carry trade" japonesa para salvar os seus bancos. A indústria japonesa pagará a conta. E apesar da queda da libra e do euro, a política europeia de enfatizar as suas exportações para o mercado americano ao invés de vender para a sua própria força de trabalho interna parece bastante má, tendo em conta o iminente abrandamento económico esperado. Os gastos e nível de vida dos consumidores estado-unidenses cairão – ao que parece, a pique – para financiar a economia do "gotejamento" para o topo. A actual política do Tesouro é salvar os credores, não os devedores. Os bancos estão a ser salvos, mas não a indústria e certamente não os assalariados/consumidores dos EUA. Ao invés de prosseguirem um tipo de défice Keynesiano, gastando de uma maneira que aumente o emprego (gastos governamentais em bens e serviços, em infra-estruturas e transferências de pagamentos), o Tesouro e a Reserva Federal estão a providenciar dinheiro para que os bancos se comprem entre si, consolidando o sistema financeiro dos EUA num sistema do tipo europeu, com apenas alguns grandes bancos. O sistema financeiro está a tornar-se monopolizado e a assumir a forma de trusts, revertendo dois séculos de política económica destinada a impedir a dominância financeira sobre a economia.

Naturalmente, nada do dinheiro que está a ser dado aos bancos vai "gotejar". Ao invés disso, verificar-se-á a maior transferência de dinheiro no sentido ascendente em mais de setenta anos. A política de dar dinheiro aos sectores mais ricos – nos dias de hoje o sector financeiro – transforma a economia do "gotejamento" num eufemismo para a concentração da riqueza. A pretensão é que a economia americana precisa da liderança financeira e da sobrecarga da propriedade a fim de que a economia "real" descole outra vez. Mas um sector financeiro mais forte a vender ainda mais dívida à economia como um todo ameaça deter a recuperação, sem falar de uma nova descolagem.

Vendo o iminente encolhimento do mercado dos EUA, prestamistas e investidores estão a descarregar as suas acções, não apenas aquelas de firmas americanas como também acções em sectores exportadores europeus e asiáticos. É esta a "contradição interna" da operação de salvamento financeiro de hoje. A própria finança não pode sobreviver diante de uma economia interna "real" em sufoco.

Assim, o mundo pode estar num ponto de viragem ideológica. Mas a última coisa que a oligarquia europeia quer ver são padrões de vida mais altos para os trabalhadores. Nem tão pouco a classe financeira dos EUA. A Europa e a Ásia depositam a sua fé no mercado de bens de consumo dos EUA em vez de depositá-la nos seus próprios. O sector financeiro norte-americano considerou isto atraente na medida em que o consumo era financiado incorrendo em dívida, não por trabalhadores a ganharem mais dinheiro ou a pagarem menos impostos. Os líderes industriais e políticos por todo o mundo têm sido tão anti-trabalho que há muito pouca reflexão quanto a aumentar os padrões de vida internos através de salários mais altos e diversão dos impostos dos trabalhadores e da indústria outra vez para a propriedade, como as políticas fiscais progressivas costumavam basear-se.

É por isso que é impossível voltar ao passado, como se este fosse alguma espécie de condição normal que pudesse ser recuperada. Quando Alan Greenspan inundou o mercado hipotecário com crédito, os donos das casas emprestaram contra a subida nos preços das casas (sacaram sobre elas), como se as suas casas fossem um porquinho mealheiro. A diferença, claro, é que quando alguém faz retiradas de uma conta bancária fica menos dinheiro nela, mas nenhuma dívida é envolvida para absorver rendimentos futuros com um calendário de pagamentos. Os "equity loans" deixaram uma dívida residual, que agora se tornaram situação líquida negativa com empréstimos ainda a precisarem ser reembolsados. Isso deixará menos para o consumo. Assim, os gastos dos consumidores dos EUA cairão devido a:

(1) fim das hipotecas fáceis e do crédito dos cartões de crédito
(2) deflação da dívida quando os consumidores reembolsarem empréstimos passados, eliminando ("crowding out") [2] outras formas de despesas e,
(3) reduções de efectivos e perdas de empregos levando à queda dos rendimentos salariais.

A redução dos gastos dos consumidores significa menos vendas dos fabricantes dos Estados Unidos e do estrangeiro – especialmente aqueles em países cuja divisa esteja a subir em relação ao dólar ( e.g. Japão). Vendas mais baixas significa salários mais baixos, o que significará preços mais baixos das acções. E no próprio mercado de acções, os rácios preço/rendimentos estão a cair, à medida que é cortada a especulação que alimentava o mercado de acções, da parte dos hedge funds e outros arbitragistas. Assim, a combinação de rácios preço/rendimentos cadentes e de rendimentos em queda significará menos no denominador (rendimentos) a ser multiplicado pelos preços (rendimentos capitalizados à taxa de juro em curso).

Os preços em declínio dos mercados de acções estão a reduzir a cobertura dos fundos de pensões corporativos (assim como as contas pessoais de reforma), exigindo maiores reservas para financiar plenamente estas contas. Face ao endurecimento do crédito bancário, isto cortará novas despesas corporativas em fábricas e equipamentos, desacelerando mais uma vez a economia.

Quando os exportadores estrangeiros serão rudemente despertados do sonho da procura americana, quando será atingido o ponto em que a Europa e a Ásia procurarão construir os seus próprios mercados internos como uma alternativa?

O primeiro problema é ultrapassar o preconceito ideológico em que os banqueiros centrais estão doutrinados, num mundo em que os políticos cederam as políticas económicas a banqueiros treinados na Escola de Chicago da guerra contra o trabalho e até mesmo contra a indústria. Provavelmente é demais esperar que os banqueiros centrais europeus de hoje e administradores económicos afins abandonem a sua ideologia neoliberal anti-trabalho e vejam que sem um mercado interno próspero, as suas próprias firmas industriais definharão. A solução deve vir de um sector político renascido que represente os interesses do trabalho, e até da própria indústria quando ela vir a necessidade de ressuscitar os mercados internos.


[1] Arbitragem: Compra de divisas, títulos de crédito ou quaisquer outros valores num mercado e venda simultânea dos mesmos valores noutro mercado onde se verifique, em determinado momento, cotações ou preços mais elevados.
[2] Crowding out: Tomada de empréstimos em grande escala pelo governo que eleva taxas de juro e impede os negócios e os consumidores de obterem empréstimos à vontade.



quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Nouriel Roubini alerta para possibilidade de fecho das bolsas

In "":

Ao falar hoje durante a conferência 'Hedge 2008' em Londres, e citado pela agência Bloomberg, Roubini afirmou que "chegámos a uma situação de pânico puro", tendo alertado que "irá haver uma venda massiva de activos", sendo que "centenas de fundos 'hedge' vão falir."
No mesmo evento, o co-CEO da GLG Partners, Emmanuel Roman, previu por seu turno que até 30% dos fundos 'hedge' se vejam forçados a encerrar as suas actividades.
Este mês, responsáveis da política monetária das principais economias do mundo efectuaram cortes coordenados das taxas de juro e injectaram grandes somas de dinheiro nos bancos, de modo a tentar travar a crise, não tendo no entanto decidido suspender as bolsas das sete maiores economias do planeta.
"O risco sistémico tornou-se cada vez maior. Estamos a ver o início de uma 'corrida' a uma grande parte destes fundos", alertou Roubini, que avisou as pessoas para "não se surpreendam se os responsáveis políticos decidam encerrar os mercados por uma semana ou duas nos próximos dias."
A possibilidade do fecho das bolsas foi avançada pela primeira vez no passado dia 10 pelo primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi, que disse que os líderes mundiais estavam a debater o fecho das bolsas mundiais, tendo este no entanto afirmado pouco depois que não queria, na verdade, dizer o que disse.
Nouriel Roubini avisou também que "as coisas estão a tornar-se muito feias nos mercados emergentes. Costumávamos dizer que 'quando os EUA espirram, o resto do mundo apanha uma constipação'. Bem, agora os EUA têm uma pneumonia crónica e persistente, Está a tornar-se numa grande confusão nos mercados emergentes."
Roubini, que também é presidente da empresa de análise RGE Monitor, disse igualmente que "existem cerca de uma dúzia de mercados emergentes que estão agora com problemas financeiros graves. Até uma pequena nação pode ter um efeito sistémico na Economia global", sendo que "o Fundo Monetário Internacional [FMI] não vai ter dinheiro para apoiá-las a todas."
Este responsável precisou ainda que "esta é a pior crise financeira nos EUA, Europa e agora nos mercados emergentes que já vimos em muito tempo. As coisas vão ficar muito piores antes de melhorarem. Temo que o pior esteja ainda à nossa frente."

terça-feira, 21 de outubro de 2008

O Exemplo do Japão

In "Economist":

Se o Ocidente foi salvado "da depressão" pelos resgates bancários coordenados dos seus governos, a possibilidade de uma recessão económica aguda permanece em todo o mundo. Os economistas discutem se esta recessão pode ser "V-shaped" (isto é, breve) ou "L-shaped" (prolongada).

A experiência do Japão conta porque a sua própria crise de crédito reflecte partes do que está a acontecer hoje por todos os lados. No início dos anos 1990 o empréstimo fácil foi seguido por um colapso na propriedade e nos preços das acções, quase enterrando bancos debaixo de montes de empréstimos não recuperáveis. (Entre as diferenças são que os bancos e os reguladores reagiram lentamente e ocultaram a extensão das preocupações durante mais tempo do que desta vez.) Em 1997, sete anos em crise, muitos grandes bancos começaram a abrir falência. O governo gastou mais de 400 biliões de dólares no salvamento dos mesmos (dos quais 70 % já foi reembolsado). A economia começou a recuperar em 2003.

A "década perdida" irrevogavelmente mudou o Japão. No início da crise em 1990, era uma das nações mais ricas do planeta. Mas a desigualdade de rendimento aumentaram mais de duas vezes mais rápido do que na América e na Europa; O Japão hoje está acima da média da OCDE. A pobreza relativa é mais elevada do que em muitos países ricos. Durante muito tempo foi uma das sociedades mais seguras do mundo, mas o crime de rua começou a surgir. Muitos empregos foram preenchidos por funcionários mais baratos, a curto prazo e de meio período(part-time). Eles não pagam contribuições para pensão, acumulando problemas para o futuro.

Além disso, os sem abrigo tornaram-se um problema. Relativamente à maioria dos países, o Japão tem poucas pessoas que vivem na rua. Mas as favelas e os aglomerados em parques públicos e nas margens dos rios chocaram uma sociedade em que a habitação quase nunca existiu. Por exemplo, o governo só começou a contagem do número de desabrigados em 2003, foram contadas 25000 pessoas. Hoje, o número oficial é 16000 – que acredita-se ser demasiado conservador. A idade média é de 57, cerca de 16% foram desalojadas por mais de uma década. Em 3 Outubro o Supremo Tribunal decidiu que um parque não pode ser usado como um endereço, mas evitando que todos os desabrigados obtenham tratamento médico público, e não podendo pedir emprego ou votar.

A resposta do Governo foi gastar. Teve que gastar 120 triliões de Yens entre 1992 e 1999, principalmente em projectos de construção na zona mais afectada interior. Ele agiu como uma forma de bem-estar. Mas aliviando temporariamente um problema, ele criou outro, de longo prazo. A dívida nacional bruta subiu para 180% do PIB, três vezes mais do que o da América e dos maiores na OCDE.

O Banco do Japão manteve as taxas de juros a zero durante quase seis anos. Desde Fevereiro de 2007 que ficaram em 0,5%. Isto age como um subsídio dos indivíduos (que não ganham quase nada da sua enorme poupança) aos bancos. Mas elevar as taxas aumentaria as obrigações da dívida do governo.

Japão mostra quanto tempo se pode demorar para recuperar a partir do colapso financeiro. Os seus preços das acções não bateram no fundo até 2003, mais de uma década depois de estas começarem a descer. Elas ainda estão a um quarto do seu nível no pico. Os preços dos imóveis permanecem dois terços abaixo do seu nível mais alto.

Ver: The legacy of depression

e A short history of modern finance

e The big bear

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Devemos aproveitar esta crise para "construir um mundo novo"

In "Jornal de Negócios":

A actual crise financeira deve ser aproveitada para construir um mundo novo. Um mundo onde as instituições financeiras serão globais, e não nacionais, e as economias abertas, em vez de fechadas, defendeu o primeiro-ministro britânico num artigo de opinião no "Washington Post".
"2008 será recordado não só como o ano da crise mas como o ano em que começamos a construir um novo mundo", escreveu Gordon Brown no jornal norte-americano. Os líderes europeus estabeleceram, esta semana, os princípios que devem reger esta nova era: transparência, responsabilidade, integridade, um sistema bancário saudável e uma liderança global.
Estes são, segundo Gordon Brown, os pressupostos de um novo mundo, onde as instituições financeiras serão globais, e não nacionais, e as economia abertas, em vez de fechadas.
Esta nova era exige a existência de uma supervisão transfronteiriça, de padrões partilhados de regulação, remunerações que recompensem o trabalho árduo e não a irresponsabilidade e de um sistema de alerta que salvaguardem a economia mundial, defende Brown.
As medidas anunciadas nas últimas semanas, no sentido de salvar o sistema bancário, demonstram que os países estão disponíveis para travar a actual crise financeira. Gordon Brown refere-se, neste caso, às injecções de capital que muitos países, incluindo a Grã-Bretanha, têm realizado nos seus sistemas bancários, de forma a evitar que muitos bancos entrem em colapso.
“Assim, 2008 será recordado não só como o ano da crise mas como o ano em que começamos a construir um novo mundo”, concluiu.
Gordon Brown é por muitos considerado um dos principais responsáveis pelos planos de salvamento do sistema financeiro europeus, pois as medidas adoptadas pelos líderes da UE seguiram as adoptadas pelo Reino Unido.

In "Telegraph": (13 Oct 2008)

O primeiro ministro inglês defendeu uma ampla reforma do sistema financeiro internacional na lógica de Bretton Woods.

Assinados em 1944 pelos países mais industrializados na época, os acordos conhecidos como Bretton Woods (cidade americana que foi cenário das negociações) estabeleceram as regras para as relações comerciais e financeiras internacionais.

Para Gordon Brown, os governos necessitam agora de «coragem» e «visão» para «reformar e renovar o sistema financeiro internacional», que deve ser feito com base num «acordo de princípio partilhado por todos os países, transparência, integridade e cooperação além fronteiras».

O primeiro ministro britânico afirmou ainda que é necessário definir regras para um mundo de circulação global de capitais, ao «construir um novo Bretton Woods, uma nova arquitectura financeira para os dias que se seguem».

O primeiro ministro britânico disse mesmo que «esta crise demonstra que o mercado de capitais global requer uma cooperação global mais forte e com uma maior supervisão».

In "Executive Intelligence Review Edição de Agosto 2002":  Ver: "Cinco olhares sobre a crise":


Bush-Filho está imitando não o pai mas o ex-presidente Hoover do tempo da Grande Depressão e Alan Greenspan é o principal responsável financeiro da situação a que a economia empresarial e o sistema financeiro americanos chegaram. A recomendação deste escritor radical é que se regresse às políticas que permitiram sair da depressão nos EUA e relançar a economia mundial nos anos 40, no pós-guerra. A ideia de um Novo Bretton Woods é provavelmente a mais emblemática. John Hoefle gerou polémica recentemente ao publicar em Agosto um artigo sugestivamente intitulado "Dois anos da pior crise financeira da História [americana]". Nesse artigo, ele recordava nos anos 30, que desde o "crash" do Dow Jones em 29 de Outubro de 1929 correram quase três anos até à batida no fundo em Junho de 1932 e que a bolsa só recuperou em 1947 e só voltou aos níveis de 1929 em 1954, 26 anos depois. As "sereias" que falam de um regresso altista nas bolsas a curto prazo esquecem a história.

John Paul Hoefle, de 51 anos, é um analista económico desde 1980 para a Executive Intelligence Review, uma revista semanal fundada pelo ex-candidato presidencial norte-americano Lyndon LaRouche, uma espécie de radical não alinhado que se inspira nas políticas do "New Deal" dos Estados Unidos no período de Franklin Delano Roosevelt e do seu mago financeiro, Alexander Hamilton, depois da queda de Hoover, em 1932. Roosevelt que morreu em 1945 foi também o responsável e anfitrião da Conferência de Bretton Woods (no Novo Hampshire) em 1944 realizada pelos 44 aliados contra o eixo nazi-nipónico, onde nasceu o FMI e o Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento.

Prejuízo de 600 milhões de euros em derivados de acções no Caisse d’Epargue

In "Jornal de Negócios":

O Caisse d’Epargne registou um prejuízo de 600 milhões de euros em derivados de acções, após uma equipa do banco ter excedido os limites de dimensão e risco autorizados pelo banco francês. A ministra das Finanças francesa já exigiu um inquérito.


As perdas do Caisse d'Epargne chegaram cerca de nove meses após a Societe Generale SA ter reportado perdas de 4.9 bilhões de euros sobre apostas não autorizadas realizadas por Jerome Kerviel.

Buffett afirma que "é a altura certa" para investir em acções dos EUA

In "Jornal de Negócios":

Warren Buffett, um dos investidores mais conhecidos a nível mundial, considera que esta “é a altura certa” para apostar nas acções dos EUA. Admite mesmo vir a transferir todos os seus investimento pessoais, distintos dos da Berkshire Hathaway, empresa que lidera, para as acções norte-americanas.
Num artigo de opinião publicado na edição de ontem do “New York Times”, da autoria de Warren Buffet, intitulado de “Buy american. I am.” (Compre na América. Eu estou a comprar.), o multimilionário afirma que “uma simples regra dita as minhas compras: Tem receio quando os outros são gananciosos, e sê ganancioso quando os outros estão receosos”.
Na opinião do investidor, os receios “exagerados” relativamente à prosperidade de longo-prazo de muitas grandes companhias norte-americanas são “infundados”, salientando que a maior parte destas empresas deverá apresentar resultados recorde nos anos vindouros.
No curto-prazo, subsistem dúvidas quanto às movimentações dos mercados accionistas. “Não posso prever esses movimentos. Não tenho a mínima ideia sobre se as acções vão subir ou descer daqui a um mês, ou um ano. O que é provável, no entanto, é que os mercados valorizem talvez até antes do sentimento económico melhorar”, salienta.
Para Buffett, apesar do momento conturbado dos mercados e das más notícias que continuam a surgir, esta pode ser uma boa altura para comprar, e a desconto. Permite “comprar uma ‘fatia’ do futuro dos EUA a preços baixos”, refere o investidor no “New York Times”. Por isso, “se os preços se mantiverem atractivos, os meus investimentos pessoais estarão, em breve, a 100% em acções dos EUA”.

Resenhas de um Especulador

In "Blog Longwave": 

Jim Rogers:

• Não creio no ditado que diz que “A tendência é sua amiga”. Talvez isso seja válido por alguns minutos em Chicago mas, na maior parte das vezes, seguir o que outra pessoa está fazendo raramente é uma maneira de ficar rico. Você pode ganhar dinheiro assim por algum tempo, mas continuar ganhando é muito difícil.

• A tendência economicamente justificada é diferente. Você tem que ver antecipadamente a mudança entre a oferta e a procura comprando cedo, e só comprar mercados que continuarão seguindo por anos.


• Quanto mais disciplinado você puder ser, melhor você irá funcionar no mercado.

• Quanto mais você der ouvido a dicas e boatos, mais dinheiro você perderá.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Governos dispõem de ferramentas suficientes para evitar uma nova "Grande Depressão"

In "Jornal de Negócios":

O director do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, defende que os governos de todo o mundo dispõem de ferramentas suficientes para evitar que a crise financeira se transforme numa nova “Grande Depressão”.
“O mundo é agora um lugar muito diferente do que era nos anos 30” afirmou Strauss-Kahn num discurso em Washington citado pela Bloomberg, acrescentando que “nós aprendemos com os erros do passado. Nós temos agora ferramentas para gerir os mercados e a economia que não tínhamos na altura.”
O director do FMI desafiou os governantes a “utilizar todos os instrumentos da politica macroeconómica moderna para limitar os estragos na economia real.”
“Nós não podemos esperar até que os bancos falhem e aumente o desemprego”, continuou Strauss-Kahn, “nós temos de agir compreensivamente e de forma imaginativa.”
Ainda no seu discurso na capital dos EUA, Dominique Strauss-Kahn, não esqueceu que entre o “crash” em Wall Street em 1929 até Março de 1933, dois quintos dos bancos norte-americanos fecharam e o desemprego subiu 25%.


Os planos até agora anunciados pelos Governos da União Europeia para estabilizar o sector financeiro totalizam quase 1,5 biliões de euros. Trata-se de um valor que representa mais do dobro do programa de 700 mil milhões de dólares (522 mil milhões de euros) inicialmente planeado pela administração norte-americana para limpar o sector dos activos tóxicos , mas que será agora secundado por uma linha do Tesouro ainda não quantificada para recapitalizar a banca.

Bolsas dos EUA disparam mais de 11%

In "Jornal de Negócios":

A confiança parece ter regressado aos mercados bolsistas. Depois dos principais índices europeus terem registado a maior subida de sempre, as bolsas norte-americanas fecharam a ganhar mais de 11%, o que representa o maior ganho diário desde, pelo menos 1987.
O S&P500 subiu hoje 11,62% para 1.003,70 pontos, a maior subida desde 1987 O Dow Jones ganhou 11,11% para 9.390,08 pontos, a maior valorização desde 1933, e o Nasdaq apreciou 11,81% para 1.844,25 pontos.

Prémio Nobel da Economia 2008, Paul Krugman diz que Londres "mostrou ao mundo o caminho a seguir"

In "Jornal de Negócios":

O prémio Nobel da Economia 2008, Paul Krugman, considera que o governo britânico "mostrou ao mundo o caminho a seguir", ao adoptar um plano de cinco medidas entre as quais a nacionalização parcial das entidades bancárias mais fracas.
Segundo a Lusa, num "post" publicado na madrugada de hoje (00:25 em Lisboa, 19:25 de domingo em Nova Iorque) no seu blog no jornal New York Times, o novo Nobel da Economia escreve que tem "suplicado aos decisores políticos, ao menos uma vez, para que excedam as expectativas na forma de abordar esta crise, em vez de ficarem aquém" do necessário.
"Parece que os governos da zona Euro deram conta do recado, adoptando mais ou menos o plano britânico", escreveu o norte-americano Paul Krugman, horas antes de saber que tinha ganho o prémio da Academia sueca.
"E eu deveria ter encorajado mais o governo britânico, que excedeu largamente as expectativas na semana passada e efectivamente mostrou ao mundo o caminho a seguir", considerou ainda Krugman.
O plano de Londres, apresentado ao longo da semana passada, prevê injectar 62,5 mil milhões de euros de dinheiros públicos no capital dos bancos mais enfraquecidos e 315 mil milhões de euros para garantir os empréstimos entre bancos.
Ao contrário do Plano Paulson que foi aprovado nos Estados Unidos, o plano britânico não prevê a compra de "activos tóxicos" dos bancos ou outras entidades financeiras.
No domingo, os governos europeus adoptaram uma posição comum através da qual se mostram determinados a evitar as falências bancárias e prontos a garantir as operações de refinanciamento dos bancos, de forma provisória até 31 de Dezembro de 2009.
As medidas inspiram-se nas ideias do plano de salvamento apresentado pelo Governo britânico.

PSI-20 registou a maior valorização de sempre

In "Jornal de Negócios":

No dia em que o PSI-20 registou a maior valorização de sempre, as 20 cotadas do índice português viram a sua capitalização bolsista aumentar em mais de 5 mil milhões de euros. O PSI-20 apreciou mais de 10%, numa sessão em que a Sonae SGPS e a Sonae Indústria dispararam mais de 20%.
Após a subida de mais de 10% de hoje, a maior de sempre do PSI-20 nos seus 15 anos de história, as 20 cotadas do índice estão agora avaliadas em 54 mil milhões de euros.
Só hoje, a subida do valor destas 20 empresas foi de 5,14 mil milhões de euros. A EDP, que apreciou mais de 13%, registou o maior contributo para esta subida, com um aumento da sua capitalização bolsista de 1,433 mil milhões de euros.
Na banca o BCP subiu 11,83%, o BPI avançou 11,01% e o BES subiu 4,65%. O valor conjunto dos três maiores bancos subiu hoje em 1,05 mil milhões de euros.
As empresas Sonae registaram as valorizações percentuais mais expressivas, com a SGPS e a Sonae Indústria a subirem mais de 20%. O valor em bolsa da empresa liderada por Paulo Azevedo subiu 176 milhões de euros, voltando a valer mais de mil milhões de euros, enquanto a capitalização bolsista da Indústria subiu 38,5 milhões de euros.
Apesar da subida recorde que muitas cotadas registaram hoje, as subidas verificadas não foram suficientes para anular as perdas sofridas nas últimas sessões. Nos últimos cinco dias a Sonaecom, Portugal Telecom, Galp Energia, Zon Multimédia e Sonae Indústria registam ainda perdas expressivas.
No acumulado do ano, todas as cotadas do índice estão em terreno negativo. O PSI-20 perde mais de 46%.


Empresa Última cotação Variação hoje % Variação 5 dias % Variação 2008 % Capitalização bolsista Var. Capitalização bolsista
Sonae SGPS 0,515 23,798 10,278 -71,011 176.000.000
Sonae Indústria 1,85 20,13 -4,639 -72,18 259.000.000 38.500.000
Mota-Engil 2,5 17,702 -9,42 -51,172 511.589.300 68.962.300
Altri 1,785 16,667 -4,29 -62,691 183.080.000 24.103.000
Cimpor 3,7 15,625 -3,746 -38,333 2.486.400.000 312.480.000
EDP Renováveis 4,6 13,58 -1,457   4.012.617.000 419.580.000
Teixeira Duarte 0,91 13,466 1,449 -56,459 382.200.000 44.940.000
EDP 2,536 13,164 12,411 -43,266 9.272.979.000 1.433.362.000
REN 2,6 13,043 1,563 -28,177 1.388.400.000 175.152.000
Zon Multimedia 4,59 11,951 -6,327 -50,551 1.418.755.000 238.005.000
BCP 1,04 11,828 -0,763 -60,42 4.882.384.000 657.244.000
Sonaecom 1,335 11,809 -17,081 -59,545 488.939.600 47.612.100
Banco BPI 1,976 11,011 0,816 -61,625 1.778.400.000 275.400.000
Portucel 1,77 9,938 0 -20,628 1.358.475.000 165.780.000
Semapa 6,6 9,091 2,167 -24,743 780.993.800 50.409.600
Jerónimo Martins 5 8,696 6,36 -7,407 3.146.465.000 137.186.000
Galp Energia 8,715 8,666 -7,729 -52,61 7.226.918.000 140.972.000
Brisa 6,748 7,796 16,285 -32,856 4.048.800.000 340.800.000
Portugal Telecom 5,614 6,649 -14,29 -37,133 5.291.727.000 274.295.000
BES 8,2 4,645 2,5 -45,333 120.000.000
Total   10,2   -46,87% 5.140.783.000
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